8.2.10

[ Cá vamos ]

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© [Fotografia: Dez/2009]




Cá vamos. Morto de saudades. Cheio de afectos virtuais.
Muitas “dores” envoltas em disfarces de sorrisos. Vem aí o Carnaval. Máscaras que iludem a velha pergunta: será que vale a pena?
E sempre a resposta pronta (não há outra. Não haverá outra?) o dinheiro.

E pelo dinheiro nos magoamos, nos atropelamos, nos prostituímos.
E pelo dinheiro esquecemos o direito a ser o que queríamos ser, a fazer o que gostaríamos de fazer, a ter o que mais amaríamos ter.
E pelo dinheiro estamos dispostos a hipotecar tudo. Signifique o que significar esse tudo, para uns será a tranquilidade, a auto estima, a confiança, a esperança, para outros será a família: mulher, filhos, netos, pais e irmãos e para outros, ainda, será a própria alma.
E pelo dinheiro sacrificamos a vida na ilusão de uma melhor vida.

Saber que não gostamos de estar sozinhos, mas estamos.
Saber que o simples abraço aquece o corpo e a alma, mas dispensamos.
Saber que o caminho é feito de pequenos gestos, mas falamos das grandes coisas.
Saber que “o sonho comanda a vida”, mas estamos permanentemente acordados.
Saber que temos o direito a ser felizes, mas abortamos a ideia.

E resignados, lutamos.
E lutando, não desistimos.
E não desistindo, caminhamos em frente.
E caminhando, descobrimos que somos fortes.
E nessa fortaleza ancoramos o que há de melhor em nós.
E esse melhor é tão ténue, tão frágil, tão inquieto que nos resignamos.
E resignados…

Cá vamos.

Texto de C.G. (07-02-2010 em Luanda) recebido por email

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